Atraindo os Peixes com a Luz Submersa

 

Com a chegada do verão e a consequente elevação da temperatura, resolvemos informar, aos nossos amigos do Fish Point, que podemos transformar aquela possível noite mal dormida, devido ao calor, em uma saudável pescaria noturna de prejereba, cientificamente classificada como Lobotes Surinamensis.

A área de atuação da prejereba no Atlântico ocidental, vai desde a Nova Inglaterra até a Argentina. Nesta vasta extensão marítima, onde sua presença já foi registrada, ela recebe outros nomes, além deste, como: brejereba, pirajeva, cará do mar - por lembrar um cará -, peixe-folha - por boiar de lado parecendo uma folha -, peixe-sono - por flutuar como se estivesse dormindo - e, ainda, o sofisticado “tripletail”, em inglês.

Durante alguns anos, dedicamo-nos à pesca desse peixe - de cor marrom a cinza metálico - através de bóia, embora a sua morfologia não dê a impressão que o seu habitat seja a superfície e que nos meses mais quentes do ano, costuma aproximar-se da costa e penetrar nos canais, onde caça pequenos peixes e crustáceos. Nesse tempo, tivemos a oportunidade de fisgar diversos exemplares deles, sendo que o maior pesava mais de 12 quilos. Na mesma época, tivemos a felicidade de ver um amigo brigando e, posteriormente, capturando uma prejereba excepcional de 23 quilos, que pensamos ser um possível recorde para esse peixe.

Pois bem, deixando a descrição da prejereba de lado, visto que ela poderia gerar várias páginas, mas lembrando, ainda, que a carne desse peixe é deliciosa, vamos ao objetivo maior desta:  a sugestão da sua pesca por intermédio da luz submersa.

Primeiramente, definiremos o local da nossa pescaria desembarcada, que, pela proximidade de São Paulo, recomendaremos a cidade de São Vicente, onde os pontos ideais são a Pedra da Bandeira na Ilha Porchat e o “costão” da Avenida Getúlio Vargas, mais precisamente entre a Ponte Pênsil e o Monumento ao IV Centenário Vicentino.

Em seguida, escolheremos as melhores marés para os locais citados, que serão as de quarto, minguante ou crescente, preferencialmente os dois dias que antecedem a entrada da lua em quarto e os dois dias posteriores, e, uma dica muito importante, sempre quando a maré estiver vazando calmamente. Vejam, na tábua das marés, o horário do início da vazante noturna e programem a sua pescaria.

Sabendo-se a época, o peixe, o local, a data, a maré, o horário da pescaria e a isca que poderá ser a sardinha, pela própria comodidade do pescador, vamos a tralha. Um bom material para a pesca da prejereba consiste em uma vara com resistência de “casting” entre 150 a 300 gramas de 4 metros de comprimento, para facilitar os lançamentos, um molinete ou carretilha, com capacidade de armazenamento mínima de 150 metros de linha 0,60 milímetros, para as eventuais “boas brigas”, e os empates “com luz”, ilustrados no final desta matéria.

Apesar do nosso objetivo ser a prejereba, creio que não é novidade para a maioria dos pescadores de “água salgada”, que o descrito até agora serve muito bem para a pesca do peixe espada - Trichiurus Lepturus. Por isso, não se zanguem caso as espadas que nadam em cardumes, começem a fisgar em grande quantidade. Pela própria vivência, podemos afirmar que sempre valerá a pena aguardarmos a entrada de uma ou mais prejerebas!

Cumpre lembrar, que, de vez em quando, deve-se dar alguns “puxões” na linha, para que ela corra por entre a bóia, fazendo com que a luz e a isca se movimentem para cima e para baixo, objetivando assim, maior atração para os peixes próximos. Este movimento surte muito efeito com relação ao peixe espada!

No momento da fisgada, adotem o mesmo procedimento de qualquer pescaria com bóias. Tenham paciência aos diversos sinais de peixe na bóia e só fisguem depois de alguns segundos, após o desaparecimento completo da bóia.

Uma explicação: nada impede que utilizemos os empates “com luz” sugeridos para a pesca noturna “embarcada”. Já testamos, e os resultados foram ótimos em dias de mar calmo, água limpa e pouco vento.

Agradecimentos ao “Iwao”, pelo companheirismo na idealização deste sistema com luz submersa, para atrairmos os peixes!

                                                                                 Boa pescaria noturna a todos neste verão!

                                                                                                                             Pedro Abate

 

                                          

Legenda do Sistema para Pesca Noturna de Superfície

  A- Empate para locais providos de iluminação (Ex.: costão da Getúlio Vargas - SV)

  B- Empate para locais desprovidos de iluminação ou embarcado (Ex.: Ilha Porchat)

  1- Garatéia n.3 castroada com sardinha amarrada

  2- Grampo ou “Snap” de aço inox

  3- Girador n.4

  4- Botões de proteção/parada para os nós

  5- Nó de “correr” para regular a parada da bóia (+ - 1 m)

  6- Luz atrativa de acrílico resistente - com pilha (pequena)

  7- Castroador de segurança - de 20 cm

  8- Bóia de isopor branca com caninho - corre na linha e para no nó

  9- Luz atrativa de plástico - luz de reação química “Sea Lume”

10- Bóia luminosa com caninho para correr na linha - com pilha (média)

Obs: Use sua criatividade para adaptar outros apetrechos com luzes!