Serra da Mesa

Texto: Betinho
Fotos: Betinho, Riad  Sati e Koodi Koike

 

O reservatório começou a ser alagado em 1997 e se transformou em atração de ecoturismo e pesca para os principais municípios em sua volta - Campinaçu e Uruaçu(GO)a oeste, na Belém-Brasília, Niquelândia (GO) na parte sul, e Colinas (GO) a oeste (a caminho da Chapada dos Veadeiros). Em 2001, na seca que gerou a crise energética, o nível das águas baixou de 9 metros.

A Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa, localizada na Bacia do Alto Tocantins, em Goiás, possui grande importância no panorama energético brasileiro. Construída em parceria com a empresa privada Serra da Mesa Energia S.A., a entrada em operação de suas três unidades geradoras, totalizando 1.275 MW (3 X 425 MW), significou uma solução definitiva para o atendimento às regiões do estado de Goiás e, particularmente, do Distrito Federal.

Ela é responsável pela ligação entre o sistema interligado Sul/Sudeste/Centro-Oeste e o Norte/Nordeste, sendo o elo da Interligação Norte-Sul. Sua barragem está situada no curso principal do Rio Tocantins, no município de Minaçu (GO), a 1790 km de sua foz e a 640 km de Brasília - DF.

O reservatório de Serra da Mesa é o maior do Brasil em volume de água, com 54,4 bilhões de m³ e uma área de 1.784 km². A Usina de Serra da Mesa é um projeto pioneiro em FURNAS, por ser uma usina subterrânea, e possuir controle totalmente digitalizado, promovendo uma operação coordenada de geração, aliada a um diversificado sistema de transmissão.

Recentemente, cometi uma loucura em meu benefício.  Sabe aqueles momentos onde sobra mês ao invés de grana ? Pois bem, ao conversar com o amigo Koodi Koike, ele me dizia que iria realizar uma pescaria de tucunarés na represa  de Serra da Mesa, em Goiás.  Comentei que estava até com inveja dele.  Não seja por isso, vamos juntos !  Respondeu ele. 

Demorei um pouco para dar a resposta mas, acabei acompanhando-o na aventura, já que tínhamos poucas informações do local.

A Viagem

Saímos de São Paulo, de avião, numa quinta-feira, eu o Koodi e o meu mais novo amigo Riad Sati.  Em Goiânia, encontramo-nos com o Maçaoki Koike, irmão do Koodi.  Ele saiu de Caldas Nova, onde reside, para nos encontrar e acompanhar até o local da pescaria.  Entretanto, no caminho sua caminhonete teve problemas e teve de ser internada na oficina para reparos. 

Como o nosso anjo da guarda já estava de plantão, o Maça lembrou-se de um amigo,  que dias antes,  havia ligado e oferecido uma nova van para viagens.

Portanto, antes, de desembarcarmos em Goiânia o nosso amigo já tinha ligado e contratado os serviços de van do Guilherme Alves de Melo.

A nossa saída de Goiânia que estava prevista para às 10 hs, acabou ocorrendo somente às 15 hs, já que a van teve de vir de Caldas Nova.

Prevíamos, inclusive, fazermos alguns pinchos ao cair da tarde, o que não aconteceu, porque chegamos somente às 21 hs.

Pelas informações que tínhamos, a respeito da distância,  tratava-se de 350 kms mas, percorremos 450 kms.

Saímos de Goiânia pela BR 153 até Jaraguá, passamos antes por cidades como , Nerópolis, Petrolina e S. Francisco.  Depois, pegamos a GO 80 até Uruaçú, passando antes por Goianésia e Barro Alto. Após Uruaçú fomos em direção a Niquelândia e, antes de chegar a esta cidade (20 kms), existe uma grande placa mostrando a entrada da pousada do Germano. O acesso é todo de terra mas, são apenas 20 kms.

O Local

 

Quando se vai para um local tão longe, as expectativas de acomodação não são lá muito boas entretanto, surpreendemo-nos.   A pousada fica no alto, com uma bonita vista para o Rio Traíras. Tem 25 apartamentos com ar condicionado, banho quente, frigobar, tv a cabo e roupas de cama limpas e cheirosas.  Apesar de não termos usado, eles têm duas piscinas.  A comida é simples, porém, honesta.

O serviço que mais nos surpreendeu foi o de piloteiros. Além do grande conhecimento do local, não pescam em serviço, são atenciosos e prestativos. Um exemplo: quando trabalhamos uma isca, o piloteiro normalmente continua com o motor elétrico ligado e não percebe que o anzol da isca irá se enroscar. No nosso caso, o piloteiro estava atento e cortava a corrente do elétrico, às vezes até retornava, evitando o enrosco.  

Quando acontecia de enroscar, esperava mais um arremesso do parceiro e, logo ia soltar o anzol. Por estas e outras, logo no início do segundo dia, ele ganhou meu óculos polarizado de presente.

Até iscas de fly ele indicou as mais efetivas.

Um dia, o Koodi e seu irmão Maça se atrasaram no retorno a pousada e, em menos de vinte minutos, nosso piloteiro Vasco, pegou um holofote e saiu a procura deles.

Felizmente, em menos de dez minutos encontrou nossos amigos que já estavam chegando. Estes atrasos normalmente acontecem devido "aquele último pincho".   No nosso caso, como os montes das margens são muito altos, a noite chega rápido e torna a navegação muito perigosa, devido  a grande quantidade de árvores acima e abaixo do nível da água.

Portanto, pontos muito favoráveis a Pousada do Germano.

A Pescaria

Diferente da maioria das pescarias de tucunaré que já fiz, desta vez pescamos muito no meio do lago.  Os peixes faziam com que o cardume de pequenos alevinos subissem para atacá-los na superfície.  Os ataques eram estrondosos.  Bastava arremessar nossas iscas no meio e era peixe na certa. 

Entretanto, fisgávamos apenas dois ou três e o cardume descia para uns dez metros de profundidade. Nestas horas,  usávamos um "jig" para fisgar um ou outro no fundo mas, as iscas de nossa preferência foram os poppers, hélices e zaras. 

No fly, alé de pescá-los na superfície, também, fisguei alguns no fundo, com linha sinking.

Os tucunarés deram um verdadeiro show.  

O piloteiro também fez a diferença ao selecionar as iscas de fly parecidas aos transparentes alevinos que faziam parte do cardápio dos tucunarés.  Algumas vezes, víamos um grota linda, com cara de morada grandes peixes mas, o piloteiro nos desencorajava dizendo que ali não tinha peixe.

De tanta insistência, algumas vezes ele cedia mas, ressaltava: ali não tem peixe.  E não tinha mesmo.

Seguindo as instruções do piloteiro, fisgamos muito peixe de bom tamanho. No entanto, o maior de 4 kg, foi fisgado pelo Koodi, que também pescou um de 3 kg.

A média de tamanho dos peixes está na faixa de 800 a 1500 gramas mas, tem grande quantidade.

Outros Peixes

Gostaria muito de ter fisgado uma bicuda, que tem bastante,  no fly mas, não consegui e tive de me contentar fotografando as pescadas pelo Riad.

As corvinas também são abundantes, com tamanho próximo a um quilo.  Tanto que, no último dia, já estávamos cansados de fisgar tucunarés e resolvemos " linguiçar " um pouco. 

Com as varas de "bait" e alguns lambaris vivos, fisgamos muita corvina, jurupensem e bicudas.  O jurupensem recebe o nome de bico de pato, em Goiás.

O nosso motorista e amigo Guilherme, também pescou muito bico de pato, piáus e corvinas.

O Maça, adepto das iscas vivas ferrou uma piracanjuba de uns cinco kg, na frente da pousada. Belo peixe !

Pescamos sempre no rio Traíras.  Ouvimos comentários de que recentemente, o lago estava tão baixo que havia necessidade de se deslocar com os barcos a reboque, quase 10 kms por terra,  para soltá-los na água.

O Local de Pesca

A paisagem é bastante agradável. Navega-se com vista para as montanhas, pastagens, pequenas árvores e buritizeiros (espécie de coqueiro).

Apesar de bastante estrutura nas margens, nesta época(abril), tivemos maior produtividade no meio do lago pois, os peixes estavam encardumados.  Nestas horas temos que ceder aos conhecimentos de quem vive no local portanto, contrate um piloteiro ou guia.

Comentários para fotos

 

Rancho de palha: O prefeito de uma cidade próxima, mandou construir este rancho com palha de buriti(na cobertura) e madeira do local. O mais interessante é o seu uso comunitário pois, quem chega vai ficando.

Aranha: tudo quanto é lugar está cheio destas aranhas de perna longa.

Flutuante da pousada: O dono da pousada Germano comprou este imenso flutuante de dois andares  e o coloca a disposição dos seus hóspedes que   quiserem pescar na sombra.

Despesas da Viagem

Passagem aérea: R$660,00(tarifa cheia)

Aluguel de van: R$0,70 por quilômetro rodado.

Diária da Pousada: R$40,00.

Barco e piloteiro: R$100,00(dia).

Informações

Pousada do Germano

Telefones: (062)9906-6906 , (062)9954-7929 e (061)9978-4059

Falar com dona Euzamar e sr. Germano.

 

Guilherme Excursões e Turismo

Telefones: (062)9983-2424 (24 horas), (062) 455-2550(dia) e (062) 453-6076(res).

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Betinho é empresário e proprietário da Betinho Fly & Co., que comercializa produtos relacionados a pesca com moscas. O Showroom da Betinho Fly & Co localiza-se na
Rua Inácio Pereira da Rocha, 152- Vila Madalena - SP - CEP: 05432-010 
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