Usando o Barômetro para prever o tempo

Na maioria das pessoas que perguntam sobre o correto uso do barômetro, existe uma ansiedade de prever o tempo. É verdade que o barômetro pode ajudar a perceber as mudanças meteorológicas, mas os resultados só são positivos quando analisamos a variação da pressão atmosférica – aquilo que o barômetro mede – ao lado de outros elementos como vento, nebulosidade, temperatura e umidade do ar, além do conhecimento do clima da região.

Quando o barômetro foi inventado em 1643, Torricelli percebeu que em dias de chuva e neve as pressões eram mais baixas que em dias de sol. Com o desenvolvimento da física de gases descobriu-se por que isso acontece.

A pressão atmosférica na superfície é o peso de uma coluna de ar sobre uma determinada área.

Estando 70% da atmosfera abaixo dos 12 Km, altura na qual acontecem os sistemas de tempo, o barômetro marca exatamente a mudança de peso desta coluna, que antecipa também as mudanças meteorológicas.

O barômetro pode ser usado tanto para um indivíduo que deseja saber o desenvolvimento da pressão atmosférica no ponto em que está, quanto pelos institutos meteorológicos que prevêem o tempo para o país inteiro.

Lendo as informações enviadas pelos barômetros das várias estações meteorológicas do país é que se constrói as cartas sinóticas de superfície dos centros de previsão do tempo. Esta carta constitui-se de um mapa, sobre o qual são traçadas as chamadas isóbaras, que são linhas de mesma pressão. Assim são identificadas as regiões de alta e baixas pressões, que se movimentam continuamente com o deslocamento das massas de ar e das zonas de instabilidade sobre o planeta.

As áreas de alta pressão são chamadas de anticiclones, eles são grandes, em geral do tamanho de um oceano ou continente aqui no hemisfério sul, e movimentam-se lentamente. Neles o tempo é bom e os ventos sopram de dentro pra fora no sentido anti-horário. Nos ciclones, zonas de baixa pressão, os ventos convergem para o centro no sentido horário. Comparados com os anticiclones eles são menores e se deslocam rapidamente, junto com as zonas de tempestades.

Em situação normal, a costa sul e sudeste do Brasil é influenciada pelo anticiclone subtropical do Atlântico Sul, que mantém condições de tempo bom, com ventos predominantes do quadrante norte.

Se, além da carta geral do País você quiser ter uma idéia do desenvolvimento do tempo a partir da leitura do barômetro, lembre-se de que você está envolvido num mar de ciclones e anticiclones, e que é o desenvolvimento relativo destes sistemas que vai determinar o tempo na sua região.

O primeiro passo para usar o barômetro é a anotação diária, na mesma hora, da pressão atmosférica. Caso o seu barômetro indique condições fixas para tempo bom / instável / chuva, não ligue. Estas marcações são válidas apenas para o hemisfério norte. Aqui, o que importa é a variação da pressão de um dia para o outro.

A queda de um milibar (mb) ou milímetro de mercúrio (mmhg), de um dia para outro, pode não dizer muito, mas se a tendência se mantiver no terceiro dia pode indicar que a chuva está chegando, bem devagar.

A queda lenta da pressão indica a chegada de um sistema de baixas pressões fraco, que pode ser uma frente fria ou uma área de instabilidade com pouca atividade chuvosa.

Uma queda de 2 a 3 milibares em 24 horas é uma tendência significativa, indicando grandes mudanças que podem demorar 24 ou 48 horas para atingir a região. Neste caso a chuva tem intensidade de fraca à moderada.

De 3 a 5 milibares de queda em 24 horas, indica mudança brusca que pode ser forte, no mesmo dia. Valores mais altos que esses indicam a chegada de sistemas de tempo muito fortes, difíceis de ocorrer no Brasil.

De forma inversa, a elevação da pressão atmosférica indica melhora nas condições do tempo, que ocorrem mais rapidamente dependendo da intensidade desta evolução.

Esta é uma maneira simples e segura de prevenir-se contra bruscas mudanças de tempo que podem ser somente desagradáveis ou até mesmo perigosas. Mas não esqueça que uma visão total exige também informações meteorológicas mais completas.

Artigo extraído da revista  Off Shore.