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MORATÓRIA DA PESCA PROFISSIONAL NO PANTANAL Há pouco tempo uma notícia caiu de para quedas no meio da pesca esportiva. A pesca profissional no Pantanal seria suspensa por 4 anos. Muitos comemoraram a decisão, por entender ser esta atividade a grande responsável pela diminuição dos estoques pesqueiros.
De acordo com esses pesquisadores, com o aumento da velocidade das mudanças ecológicas, cresce também a necessidade de informação básica para direcionar as atividades de conservação e recuperação ambiental. No entanto, freqüentemente, as informações são escassas. Contudo, existe uma fonte complementar de conhecimentos sobre os ecossistemas, mantida pelas populações humanas, cujas vidas encontram-se entrelaçadas de maneira complexa a algumas regiões particulares. Esse é um conhecimento muito rico, acumulado ao longo de muitas gerações, através da observação e das adaptações culturais dessas populações, num contexto de modificações ecológicas de longa duração.
Pelo contrário, ele é eminentemente prático. Longe de ser um corpo estático de conhecimentos, ele deve ser altamente adaptativo para servir às necessidades das populações humanas, através de longos períodos de tempo. Logo, atualmente, a comunidade científica reconhece que as populações locais, também denominadas populações tradicionais, possuem os conhecimentos e as respostas necessárias à sua sobrevivência no meio em que vivem.
Eles são detentores de um conhecimento empírico extraordinário sobre a ecologia da região, que vem sendo acumulado e transmitido de pai para filho por muitas gerações.
conhecem as propriedades de muitas madeiras para diversas finalidades e os hábitos de vários componentes da fauna da região, além de possuírem um acurado senso de orientação, deslocando-se com facilidade num ambiente que poderia ser um labirinto para as pessoas acostumadas às áreas urbanas. Em suma, os pescadores profissionais-artesanais são os detentores de um saber tradicional que deve ser amplamente considerado nas decisões relacionadas ao manejo da pesca no Pantanal.
quisermos aprender a manejar o meio ambiente de modo sustentável”. Em novembro passado, foi realizado em Campo Grande o I Fórum Regional sobre Políticas de Pesca no Pantanal: inclusão social, gestão participativa, pesquisa e monitoramento. Este forum teve como finalidade integrar o conhecimento tradicional dos pescadores com o conhecimento científico, na formulação de propostas para a gestão participativa da pesca em seus aspectos sociais, econômicos e ambientais na Bacia do Alto Paraguai (BAP).
Na ocasião, foi instituído o “Fórum Permanente da Pesca
Sustentável no Pantanal” que será constituído pelas instituições presentes e
tem por objetivo contribuir para a condução democrática da política de pesca
na Bacia do Alto Paraguai, à disposição da sociedade.
Acreditamos que o discurso do pesquisador Agostinho Cattela e a realização e conclusão do forum citado acima tenham sidos fatores importantes que levaram os governos dos Estados do MS e MT a não implantarem de imediato a tão falada e noticiada moratória da pesca profissional no Pantanal. Ao contrário disso, no dia 29 de novembro passado, um decreto estabeleceu cotas para a pesca profissional nos MS para o ano de 2006, afastando definitivamente a possibilidade da moratória já a partir desse ano. A cota estabelecida foi de 400 Kg de pescado por mês por pescador. Esta cota está de acordo com a cota estabelecida também pelo Estado do MT. Agora a expectativa é conseguir que as autoridades Paraguaias façam o mesmo. A falta total de estudos sérios e detalhados sobre o estoque pesqueiro pantaneiro impede que atitudes corretas e diretas sejam tomadas. Quem pode afirmar que a pesca profissional é hoje a grande responsável pela diminuição dos estoques? Quem pode afirmar que a pesca amadora é a responsável?
E assim o Pantanal vai minguando a cada ano que passa, sem respostas, sem atitudes e principalmente sem ser visto com seriedade.
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